Principais conclusões
- Cerca de trinta metros no rebordo e sessenta na base.
- Dynjandi mais seis cascatas com nome por baixo, no Dynjandisa.
- Significa a trovejante, e ouve-se antes de se ver.
- Monumento natural, décadas antes da afluência à Islândia.
A forma, que é tudo
Quase todas as cascatas famosas estreitam à medida que descem. A água em queda livre junta-se, pelo que uma queda que começa larga chega em coluna. Dynjandi faz o contrário, e essa é a razão pela qual vale a pena atravessar uma serra para a ver.
O rio chega a um rebordo com cerca de trinta metros de largura. Sob o rebordo não há ar vazio mas uma parede de basalto assente em lajes horizontais, uma escoada de lava sobre outra, cada uma desgastada um pouco mais para trás do que a de cima. O resultado é uma escadaria, e a água tem de a descer em vez de a ultrapassar em queda.
Cada degrau espalha o caudal um pouco mais. Em baixo a lâmina de água tem cerca de sessenta metros de largura, o dobro do topo, razão pela qual cada fotografia parece tecido e não um rio. Os islandeses chamam-lhe véu de noiva há muito tempo e é difícil melhorar.
Cem metros, e como senti-los
A queda ronda os cem metros. Esse número significa muito pouco até haver pessoas na sua base, momento a partir do qual deixa de ser um número.
Este é o conselho mais útil para um visitante: espere que alguém caminhe até à base antes de fotografar. Sem uma figura no enquadramento a queda tanto poderia ter vinte metros como duzentos, porque nada mais na paisagem dá escala. Com uma figura, o tamanho torna-se óbvio e ligeiramente inquietante.
A outra pista é o som. No parque de estacionamento, a várias centenas de metros e bem abaixo dela, a queda já é suficientemente forte para se ter de falar por cima. Água que faz tanto barulho a essa distância está a fazer algo substancial.
Na prática o som é a primeira coisa a que todos reagem. As pessoas saem do autocarro para algo que soa a trânsito intenso e depois percebem que é água.
O leque de Dynjandi, mais largo na base do que no rebordo
O nome, e o outro nome
Dynjandi vem do verbo islandês para um estrondo profundo. O nome é uma descrição e não um rótulo: a trovejante, a que retumba. Quem lhe deu nome fê-lo à distância, numa época em que não havia estrada nenhuma.
Tem também um segundo nome, Fjallfoss, que significa simplesmente a queda da montanha. Ambos continuam em uso, e mapas e livros mais antigos dão ora um ora outro. Hoje toda a gente diz Dynjandi.
A baía onde desagua é o Dynjandisvogur, no fundo do Arnarfjörður, e o rio é o Dynjandisá. Em islandês a cascata dá nome à água, à baía e ao vale, prova clara de quanto domina este canto específico do mapa.
As seis por baixo
Toda a gente fotografa a grande e depois descobre, na subida, que o rio andou ocupado por toda a encosta.
Mais seis cascatas ficam entre o parque de estacionamento e a base de Dynjandi, cada uma com nome próprio, e o trilho passa por todas. Não são prémios de consolação. Uma cai como cortina larga numa poça com a cor da água de degelo; outra aperta-se numa garganta e sai branca; outra espalha-se sobre um terraço de rocha verde em uma dúzia de fios distintos.
Qualquer uma delas, sozinha junto a uma estrada noutro país, teria parque de estacionamento e café. Aqui são aquilo por que se passa a caminho da atração principal, e a maioria dos visitantes dedica-lhes mais tempo do que tinha previsto.
São, de cima para baixo, Haestahjallafoss, Strompgljufrafoss, Gongumannafoss, Hrisvadsfoss, Hundafoss e Baejarfoss, esta última também chamada Sjoarfoss por ser a mais próxima do mar. Ninguém espera que um visitante as decore, mas vale a pena saber que cada uma foi batizada individualmente em vez de agrupada sob a palavra paisagem.
O dobro
Cerca de trinta metros de largura onde a água transpõe o rebordo, uns sessenta onde aterra. É a escadaria de basalto por baixo que faz o trabalho.
Porque está protegida
Dynjandi e as quedas por baixo foram declaradas monumento natural em 1980, o que colocou o local e o terreno em redor sob proteção formal.
Essa data merece atenção. É muito anterior à subida dos números do turismo islandês, numa época em que este vale via uma mão-cheia de pessoas por semana em vez de um autocarro de cada vez, e foi uma decisão sobre o lugar e não uma reação à pressão sobre ele.
A consequência prática está à vista: um trilho marcado, uma corda onde o terreno é instável, um parque de estacionamento bem recuado e nenhum edifício perto da queda. Tudo está disposto para que a cascata seja a única coisa no enquadramento, e isso não é acaso.
É também por isso que o local envelheceu bem. Uma cascata deste tamanho num país com tantos visitantes poderia facilmente ter ganho uma plataforma panorâmica, uma loja de recordações e um parque de autocarros aos seus pés. Esta tem um trilho e uma corda, e está muito parecida com o que era quando a portaria de proteção foi assinada.
